quarta-feira, 3 de agosto de 2011
terça-feira, 2 de agosto de 2011
O Fim de uma Era
O que falar do distante ano de 2007? Tempos distantes em que finalmente VictorProductions e AstrojohnPictures se uniram para a produção de um simples comercial de TV... O sucesso da nova marca (Rouxinol) foi tão estrondoso que a parceria continuaria por meia década.
Projetos mais simples se seguiram, como as bolinhas de gude TETECA. Além de algumas tentativas individuais dignas de pena como o "Super Cafona". Mesmo com toda a luta no cenário do cinema nacional a associação caiu por algum tempo em esquecimento. Até que, passados alguns meses, seria lançada uma nova superprodução: "Star Wars", alcançando grande público e sendo um sucesso de bilheteria. Mostrava um novo lado das empresas: Efeitos especiais arrojados e inovadores para a época. Um patamar foi subido. De trabalho escolar para o Cinema Ridículo...
No ano seguinte algumas produções obscuras e algumas fusões (decorrentes de turbulências na diretoria das empresas) culminaram na fundação da aclamada ORION FILMES, que em 2008 lançaria o enorme fiasco "Witness Weapon", filme trash de baixo orçamento que teve má aceitação da crítica e do público em geral.
A parceria continuaria apenas em 2009 com o meteórico lançamento de "Star Tresh" (Com "e" mesmo...) produzido com muitas dificuldades como cortes no elenco e no orçamento, além de estúdios apertados e mal acabados. Não obteve boa aceitação, mas o retorno nas bilheterias foi suficientemente satisfatório para a aprovação de mais dois filmes em seqüência.
Eram eles "Lavando a Alma" e "Operação: CTRL+ALT+DEL". O primeiro alcançou o grande público e fez grande sucesso. Lançado ainda em Julho de 2009, possibilitou o rompimento com o ridículo diretamente para o "Cinema Patético".
Logo a seguir, com o lançamento de "Operação: CTRL+ALT+DEL", obtivemos grande mídia, reconhecimento, grande bilheteria e prêmios da Academia. Todo o sucesso nos permitiu, em questão de meses, passar do patético para o "Cinema Digno de Pena"...
Em 2011, já havia sido acordado, faríamos o último filme. Só era preciso aprovar o melhor roteiro. Pelo apelo público e pela grande possibilidade de forte investimento em cenários e elenco, escolheu-se produzir "Operação: CTRL+ALT+DEL 2". A primeira seqüência da parceria. Com longas semanas de gravação e nada mais nada menos que 7 meses de pós-produção, o grande sucesso veio para, finalmente, alcançarmos o "Cinema Classe D". Produzimos os 40 minutos finais de uma grande história e finalmente conseguimos um resultado final de alto nível para nossos padrões.
Toda a produção e o elenco estão de parabéns. Temos um filme. Finalmente. Conseguimos, mesmo que no apagar das luzes, bater uma meta de 5 longos anos de trabalho.
Parabéns à toda a equipe de :
"Operação: CTRL+ALT+DEL 2"
P.S.: Quem sabe um "Operação: CTRL+ALT+DEL 3" não vem??
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Grande Texto
MARCELO GLEISER - Conversa sobre o nada
A física quântica leva à conclusão de que o nada, no sentido de ausência de tudo, não existe
O nada, por incrível que pareça,vem ocupando a imaginação de filósofos e cientistas há milênios. Coisa simples, não é? Imaginar a ausência de tudo, o vazio absoluto, não deve ser tão complicado. Grande engano. Se a ideia do nada como a ausência total de matéria é trivial, quando pensamos um pouco mais sobre o assunto, a coisa complica.
Foram os atomistas Leucipo e Demócrito, na Grécia do século 5 a.C., que tiveram uma grande sacada: e se o cosmo contivesse duas coisas, os átomos que constituem a matéria e o vazio onde se movem? Com isso, na ausência de um átomo, existe apenas o espaço vazio.
Aristóteles, um século mais tarde, descartou a ideia. Para ele,o espaço vazio era uma impossibilidade. Existe sempre algo preenchendo o vazio, que ele chamou de "éter". Caso contrário, ponderou, objetos poderiam atingir velocidades infinitas, algo que não parecia possível.
As ideias sobre o vazio de Aristóteles, Mesmo que transformadas, retomaram força com o francês René Descartes no século 18. Para ele, o vazio também não existia. Uma forma de matéria fluida preenchia o espaço.
Para explicar as órbitas dos planetas em torno do Sol ou da Lua em torno da Terra, descartes supôs que esse fluido, ao girar, criava uma espécie de redemoinho que levava os planetas em suas órbitas.
Newton, um pouco mais tarde, demonstrou matematicamente que o espaço não pode ser preenchido por um fluido: sua viscosidade faria com que os planetas espiralassem sobre o Sol. O nada voltou a existir.
Quando, no século 19, foi descoberto que a luz é uma onda eletromagnética, a questão do meio material em que essa onda se propagava veio à tona. Afinal, ondas de água se propagam na água, ondas de som no ar. Qual o meio em que as ondas de luz viajavam? Foi sugerido que o espaço, afinal, não era vazio; existia uma espécie de fluido que permitia a propagação das ondas de luz. Em 1887, porém, um experimento que visava confirmar a existência do éter falhou. A luz e a sua propagação se tornaram um grande mistério, que só foi resolvido em 1905, quando Einstein propôs que a luz não precisava de meio algum para se propagar. O nada voltou, triunfante. Mas não por muito tempo.
Na década de 1920, com a mecânica quântica, a física que estuda os átomos e partículas, ficou claro que conceitos do nosso dia a dia precisavam ser revisados radicalmente. Entre eles, a noção de que objetos podem ficar parados.
No mundo dos átomos, tudo vibra incessantemente. Com isso, sempre existe uma energia residual, cujo valor flutua aleatoriamente. Juntando isso ao fato de que a energia e a matéria estão intimamente relacionadas, flutuações de energia são convertidas em partículas de matéria.
Dadas as flutuações de energia,partículas de matéria podem surgir do nada. A física quântica leva à conclusão de que o nada, no sentido de ausência de tudo, não existe.
Em1998, essa história ganhou um novo capítulo. Foi descoberto que o Universo está em expansão acelerada.
Entre as explicações sugeridas para isso, a mais plausível é que o efeito seja gerado pela energia do vazio, as tais flutuações quânticas.
Nesse o caso, o nada, ou sua versão quântica, é responsável pelo destino do nosso Universo.
MARCELO GLEISER éprofessor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "Criação Imperfeita"
O nada, por incrível que pareça,vem ocupando a imaginação de filósofos e cientistas há milênios. Coisa simples, não é? Imaginar a ausência de tudo, o vazio absoluto, não deve ser tão complicado. Grande engano. Se a ideia do nada como a ausência total de matéria é trivial, quando pensamos um pouco mais sobre o assunto, a coisa complica.
Foram os atomistas Leucipo e Demócrito, na Grécia do século 5 a.C., que tiveram uma grande sacada: e se o cosmo contivesse duas coisas, os átomos que constituem a matéria e o vazio onde se movem? Com isso, na ausência de um átomo, existe apenas o espaço vazio.
Aristóteles, um século mais tarde, descartou a ideia. Para ele,o espaço vazio era uma impossibilidade. Existe sempre algo preenchendo o vazio, que ele chamou de "éter". Caso contrário, ponderou, objetos poderiam atingir velocidades infinitas, algo que não parecia possível.
As ideias sobre o vazio de Aristóteles, Mesmo que transformadas, retomaram força com o francês René Descartes no século 18. Para ele, o vazio também não existia. Uma forma de matéria fluida preenchia o espaço.
Para explicar as órbitas dos planetas em torno do Sol ou da Lua em torno da Terra, descartes supôs que esse fluido, ao girar, criava uma espécie de redemoinho que levava os planetas em suas órbitas.
Newton, um pouco mais tarde, demonstrou matematicamente que o espaço não pode ser preenchido por um fluido: sua viscosidade faria com que os planetas espiralassem sobre o Sol. O nada voltou a existir.
Quando, no século 19, foi descoberto que a luz é uma onda eletromagnética, a questão do meio material em que essa onda se propagava veio à tona. Afinal, ondas de água se propagam na água, ondas de som no ar. Qual o meio em que as ondas de luz viajavam? Foi sugerido que o espaço, afinal, não era vazio; existia uma espécie de fluido que permitia a propagação das ondas de luz. Em 1887, porém, um experimento que visava confirmar a existência do éter falhou. A luz e a sua propagação se tornaram um grande mistério, que só foi resolvido em 1905, quando Einstein propôs que a luz não precisava de meio algum para se propagar. O nada voltou, triunfante. Mas não por muito tempo.
Na década de 1920, com a mecânica quântica, a física que estuda os átomos e partículas, ficou claro que conceitos do nosso dia a dia precisavam ser revisados radicalmente. Entre eles, a noção de que objetos podem ficar parados.
No mundo dos átomos, tudo vibra incessantemente. Com isso, sempre existe uma energia residual, cujo valor flutua aleatoriamente. Juntando isso ao fato de que a energia e a matéria estão intimamente relacionadas, flutuações de energia são convertidas em partículas de matéria.
Dadas as flutuações de energia,partículas de matéria podem surgir do nada. A física quântica leva à conclusão de que o nada, no sentido de ausência de tudo, não existe.
Em1998, essa história ganhou um novo capítulo. Foi descoberto que o Universo está em expansão acelerada.
Entre as explicações sugeridas para isso, a mais plausível é que o efeito seja gerado pela energia do vazio, as tais flutuações quânticas.
Nesse o caso, o nada, ou sua versão quântica, é responsável pelo destino do nosso Universo.
MARCELO GLEISER éprofessor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "Criação Imperfeita"
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