domingo, 25 de setembro de 2011

O mundo perfeito não existe

Já nos disse Marcelo Gleiser em seu muito bem escrito "Criação IMperferfeita". O mundo como vemos, tocamos e conhecemos nada tem de perfeito. É exatamente a imperfeição que o faz capaz de existir: São as órbitas elípticas, e não circulares, imperfeitas e diferentes de cada planeta que faz a dinâmica do sistema solar ser perfeita a ponto de culminar em nossa própria existência.
Segundo essas observações podemos ver que o "Tudo" perfeito dos antigos gregos é pura balela, só existe em nossas próprias mentes. Para comprovarmos essa afirmação filosófica façamos um simples teste: Por pior que se seja com artes ou pensamento abstrato, qualquer um consegue imaginar um círculo perfeito. Mas agora: Quem é que consegue colocá-lo no papel? Nem a máquina mais precisa do mundo conseguirá desenhar um círculo absolutamente perfeito. Essa é a diferença entre perfeição (Utopia, irrealidade) e um choque de realidade imperfeita.
Uma das mentes mais brilhanes dos últimos anos, o físico inglês Stephen Hawking, também defende em seu livro: "O universo numa casca de noz", que até mesmo a malha do espaço-tempo deve ser imperfeita para que haja vida... Não só vida, mas qualquer coisa que não seja sub-atômica. Isso se deve ao fato de após o Big Bang as partículas menores que um átomo terem se agrupado de modo a formar a matéria como conhecemos (ou pensamos conhecer). Após a expansão da singularidade inicial, se iniciou o que é denominado "Processo Inflacionário do Universo", PIU. Esse processo funciona como um balão de festas. Onde de um começo minguado, quando enchemos de ar começa a expandir. O universo funcionaria da mesma forma. Mas não poderia ser perfeitamente "esticado" como o balão. Teria de ter algumas imperfeições, momentos em que a expansão sofreu mudanças de velocidade. Nesses momentos teria sido possível o agrupamento da partículas sub-atômicas, formando os átomos das substâncias que conhecemos hoje em dia.
O PIU foi sedimentado por medições realizadas por Edwin Hubble, que mediu o afastamento de galáxias, provando que o universo estava em um processo de expansão. A radiação de fundo também implica diretamente nessa teoria, pois embasa os argumentos relacionados à formação dos primeiros átomos, onde, uma mistura inicial de partículas sub-atômica (fótons, elétrons...) estaria submetida a uma temperatura tão elevada que haveria alcançado o estado plasmoso. Assim, com o PIU, essa "mistura" esfriou a um ponto que permitiu a interação dessas partículas com núcleos atômicos específicos. Esse esfriamento e essa interação só foram possíveis graças às imperfeições dessa expansão.
Outro exemplo claro de não perfeição da natureza que acabou nos originando, de alguma forma, é o processo de morte das estrelas. Elas nascem de grandes concentrações (verdadeiras nuvens) de Hidrogênio e se alimentam do mesmo por meio de fusão nuclear durante milhões de anos. Um corpo tão colossal sofre uma incrível pressão de forças gravitacionais, que são compensadas pela sua atividade nuclear interior. Até agora uma perfeita dinâmica celeste. O que ocorre é que esse hidrogênio não pode durar para sempre. A sua fusão vai transformando as substâncias em elementos mais pesados, como o Hélio. A estrela continua fundindo esses elementos, até que chega a um determinado ponto em que a estrela não consegue mais uma demanda energética para fundir elementos absurdamente pesados. Estamos em um colapso. a estrela começa a sua morte e seu destino agora, seja para uma Anã-Branca, ou mesmo para um Buraco Negro, dependerá de sua massa inicial. O ponto é que antes de seu fim retumbante, a estrela dá um último suspiro, no qual a denominação também dependerá de sua massa (Nova, supernova, gigante vermelha...). Nessa última super expansão, a estrela libera elementos pesados na malha do espaço. O que dá origem a,por exemplo, o carbono, do qual eu e você somos feitos. Assim como disse Gleiser: "Somos todos poeira das estrelas". Eu prefiro encarar como: "Somos todos frutos de uma máquina imperfeita chamada natureza.".
Dessa maneira, acho que nem precisaria dizer, por que ligamos pra perfeição se nem aquilo que há de mais belo e mais funcional em todo o universo é perfeito?
Nós somos fruto do pecado? Talvez. Mas frutos do erro com certeza.





2 comentários:

  1. Mas essa natureza imperfeita,foi perfeita para nossa existencia por exemplo,a utopia é quase sempre inalcançavel,porém a busca pela ´´perfeição´´ é que dá sentido a nossa vida.

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  2. Não quando se torna uma busca incansável e infrutífera....

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